APARTAMENTO SOB MEDIDA É POSSÍVEL?

Já faz algum tempo que as empresas consideradas vencedoras entenderam e incorporaram a idéia da “customização”, também conhecida como “voltar a empresa para o cliente”, ou seja, criar e oferecer ao mercado produtos e serviços gerados principalmente a partir das expectativas e necessidades dos consumidores e usuários. Em palavras mais simples, de nada adianta oferecer um produto ou serviço fantástico, com qualidade e preço baixo, mas no qual ninguém esteja interessado. Assim é que praticamente tudo o que compramos, atualmente, de um par de meias a um automóvel, traz a “marca” do sob medida, isto é, o produto ou serviço foi concebido para um nicho particular, para um certo tipo de cliente, não para todos eles. Essa idéia gerou e continua a gerar uma quantidade quase infinita de padrões, cores, tamanhos, texturas, medidas, preços e outros detalhes destinados a atingir os mais diversos tipos de consumidores.

E, do lado da oferta de imóveis, será que as construtoras têm produtos específicos, que vão ao encontro das expectativas do consumidor? Até certo ponto. Quando vamos comprar uma casa ou apartamento, encontramos um “padrão” associado a um “preço”, mas esses dois dados normalmente estão oferecidos num pacote pronto, quer dizer, não foi o cliente quem definiu a configuração em planta (disposição, medidas, etc.). A incorporadora já oferece 1, 2, 3 ou 4 quartos, suítes, sala, cozinha e banheiro e outras dependências, tudo isso em projetos que consideram principalmente as possibilidades de ocupação do terreno, dos recursos disponíveis, dos custos e prazos de construção e não as reais necessidades de quem vai ocupar o imóvel (embora estas sejam, obviamente, o alvo do marketing da incorporadora para vender as unidades).

Utilizando a idéia de customização, será que um casal sem filhos necessita do segundo quarto como quarto menor ou como uma sala reversível ou escritório? Uma família com filhos adultos e independentes não apreciaria ter seu quarto separado e independente, pois os horários de saídas e chegadas noturnas são bem diferentes? Um casal senior com netos tem a mesma necessidade de dependências que um casal jovem com um bebê? Dois amigos ou duas amigas solteiras, que morem juntos(as), têm a possibilidade de manter áreas comuns e privadas, dentro do mesmo apartamento?

O que pretendo dizer é que é bastante plausível (e possível) criar plantas mais flexiveis e ergonomicamente adaptáveis a todos os casos citados. Vale dizer, numa mesma planta, diversos desenhos para as diversas unidades.

Depois que compramos um apartamento novo e o recebemos, somos quase sempre obrigados a revesti-lo com pisos, fazer armários, cozinha e adaptá-lo ao nosso modo de vida. Para fazer isso, temos de contornar inevitáveis limitações criadas do desenho da planta original. Muitas vezes não conseguimos mudar o que gostaríamos e às vezes, em uma reforma, temos que literalmente de reconstruir todo o imóvel.

Será que num mesmo edifício não poderiamos ter mais opções de plantas, ou seja onde eu possa escolher a mais adequada ao meu estilo de vida ou mesmo ter a liberdade de projetar quartos e salas do tamanho ideal para atender a todas as minhas necessidades específicas? Nos imóveis comerciais, já temos a facilidade de projetar as salas de acordo com as necessidades específicas do negócio e do cliente.

Acredito seriamente que, se as construtoras e incorporadoras pudessem disponibilizar edifícios “customizáveis”, “voltados para o cliente” (apenas com as paredes hidráulicas e estruturais predeterminadas, por exemplo) o sucesso seria enorme e a satisfação dos clientes garantida.

Para os que possam discordar, utilizando o argumento dos custos, vale lembrar que customização tem um preço – e o que custa caro, realmente, não é necessariamente o artigo luxuoso, mas sim aquele que tem muita procura e pouca oferta.

Até a próxima semana.

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