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Os autores da minissérie “Um só coração”, uma das atuais coqueluches televisivas, brindam-nos, para além das histórias e casos à volta das principais personagens da Semana da Arte de 1922, com cenários incrívelmente bem montados, que recriam a atmosfera dessa época. Destacam-se, em especial, os primeiros arranha-céus paulistanos e alguns outros prédios famosos.

Aproveitando o clima, quero hoje falar exatamente de um desses prédios, o da Pinacoteca do Estado, desenho do arquiteto Ramos de Azevedo, em estilo neo-renascentista italiano e contruído entre 1897 e 1900.

A idéia original era sediar o Liceu de Artes e Ofícios. A partir de 1901, o prédio passa a abrigar, em suas alas, a Pinacoteca. Quatro anos mais tarde, transforma-se no primeiro museu da capital paulista.

Nos anos 20, o Liceu é transferido para outro prédio público. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, o exército interdita o museu para usar suas instalações e todo o acervo teve de ser transferido para a antiga sede do jornal Diário Oficial.

Em 1947, a Pinacoteca retoma as suas origens, mas passa a dividir espaço com a Faculdade de Belas Artes .

Em 1993, foram iniciadas as obras de restauração e reforma assinadas pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, ainda inacabadas. Os tijolos não eram para ficar expostos, mas devido a problemas com verbas, insuficientes para sua finalização, não havia outra saída (eu, particularmente, acho os tijolos aparentes um charme).

Paulo Mendes ganhou o prêmio Mis Van Der Rohe de arquitetura em 2000, pelo exelente trabalho de restauro deste maravilhoso prédio.

O acervo da Pinacoteca oferece-nos um verdadeiro panorama da arte e dos movimentos artisticos ocorridos no Brasil, do Séc. 19 até nossos dias.

Atualmente, é possível ver mostras como a de Miquel Barceló, importante nome da arte contemporânea espanhola (com 58 obras, a maioria grandes pinturas, realizadas nos últimos 20 anos) e também de Vik Muniz, um celebrado artista contemporâneo brasileiro.

Entre as novas exposições podemos também apreciar a os mestres acadêmicos do acervo, tais como Pedro Alexandrino e Benedicto Calixto; a dos modernistas Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Lasar Segal, Volpi e muitos outros nomes importantes.

O prédio e suas obras ficam na Praça da Luz, ao lado da Estação, em São Paulo (aberto de terça a domingo, das 10h às 18h).

Complementando o papo sobre arte, é imperdível a exposição de Pablo Picasso no Pavilhão da Oca, Parque do Ibirapuera, que termina no dia 2 de maio. São 125 obras do museu Picasso, de Paris (se tiver a oportunidade de, qualquer hora destas, estar em Paris, visite esse museu, onde podem ser vistos desenhos, pinturas, colagens, cerâmicas e esculturas criados entre 1895 e 1972).

Os horários da mostra, em São Paulo: de terça a sexta, das 9h às 21h. e sábados e domingos, das 10h às 21h (o estacionamento é grátis).

Só para encerrar a conversa, penso que todos nós gostaríamos de decorar nossa casa com algumas das obras de que falei. Claro, sonhar não custa nada!

Até a próxima semana

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