AVANÇAR NA IDADE COM DIGNIDADE

Recentemente aprovado, o Estatuto do Idoso estabelece bases sólidas para que se comece a proporcionar, efetivamente, à maior parte da população brasileira da terceira idade, condições de envelhecimento com dignidade e qualidade de vida. Afinal, segundo o IBGE, existem no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos, com uma previsão de 30 milhões para 2020.

Não obstante a precária situação da maioria dos idosos, existe no Brasil um grupo de pessoas que consegue chegar à terceira idade com saúde, lucidez e autonomia. É desse pequeno grupo privilegiado que vou falar nesta edição e, apesar do matiz utópico, penso que esse deveria ser o padrão a que todos maiores de 60, em nosso país, deveriam ter acesso. Afinal, alguém já disse que envelhecer não tem de ser meramente um exercício de sobrevivência.

O grupo em questão tem acesso a algo que já existe há muito tempo em países como Estados Unidos, Dinamarca e Canadá, as “assisted living facilities” (moradias assistidas), um tipo de habitação ou condomínio que, além do devido respeito aos idosos, proporciona-lhes muita qualidade de vida, com conforto, segurança e diversão. Essas moradias têm governança, cinema, piscina, sala de ginástica, aulas e atividades, médicos 24 horas por dia e até mesmo UTIs móveis. Na maioria dos casos, viver nesses locais é opção consciente dos próprios idosos.

Há ainda muito poucas moradias assistidas no Brasil, a oferta ainda é muito baixa, devido aos custos. Porém, isso não deve levar ninguém a pensar em condomínios para a terceira idade como locais de segregação dos mais velhos, à moda dos guetos, privando-os de convivência. A idéia é proporcionar-lhes melhor qualidade de vida, disponibilizando a eles locais onde possam ter ou manter sua independência, saúde, muitas amizades e, principalmente, sentirem-se úteis (um dos melhores remédios para a auto-estima), uma vez que decidam não mais querer morar com parentes ou não consigam levar a vida sem ajuda.

Para quem tem moradia própria e pretende continuar nela, um projeto direcionado de mudanças e adaptações é muito importante, a fim de evitar problemas como quedas (mais freqüentes e mais perigosas com o passar dos anos) e pouca praticidade no uso de equipamentos. São fundamentais pisos anti-derrapantes, tomadas instaladas em altura confortável, banheiros com alças de apoio, portas largas com maçanetas de fácil abertura, armários com alturas que não necessitem de uso de escadas e outros.

Nosso mercado imobiliário ainda não entrou de cabeça no nicho dos idosos, uma população especial que cresce rapidamente em número em nosso país e que merece atenção, carinho e serviços especiais. Afinal de contas, também seremos idosos algum dia, não?

Até a próxima semana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *