ESPAÇOS VAZIOS

Ao contrário do que muita gente possa pensar, a beleza e o charme de um ambiente não estão diretamente ligados à quantidade de móveis e objetos que se utiliza para ocupá-lo e sim no resultado harmônico que combinações inteligentes e de bom gosto são capazes de proporcionar.

“Entulhar” ou preencher absolutamente todos os locais disponíveis da casa está longe de ser uma das citadas combinações. Poluição visual é um conceito amplo o suficiente para ser aplicado (e evitado) também ao caso da decoração de interiores.

Nos dias de hoje, somos atropelados a todo o momento por uma avalanche de informações e nos sentimos impotentes para extrair dela o necessário significado. Somente nas ruas, por exemplo, somos diariamente agredidos por uma miríade de placas, fios, faixas penduradas em postes e em árvores, gente entregando folhetos no trânsito, publicidade nem sempre autorizada via autofalantes instalados em veículos e outras coisas. Estresse total! Alguém já disse que andamos obesos de informação e anoréxicos de sentido. Bingo!

Então, quando chegamos em casa, seria bom não encontrarmos o mesmo cenário que acabamos de deixar, não é? Em nosso espaço privado, queremos descansar o corpo e a mente – e a maneira como definimos o preenchimento do espaço disponível (harmonia entre móveis e objetos) influi diretamente nisso.

Espaços vazios podem surpreender agradavelmente. Por exemplo, um hall de entrada, espaço somente para circulação, é capaz de impressionar se contiver apenas uma bonita tela e um tapete estrategicamente arranjados.

Outro exemplo, um estar não “poluído” permite que se circule com mais liberdade e realça itens da decoração, valorizando-os. Com mais vazios, podemos perceber melhor a beleza dos quadros (estes também devem estar bem separados, uns dos outros –mesmo que você pense que sua casa deva ser uma galeria de arte), detalhes de móveis e enfeites e outros. Assim, não ficamos perdidos e estressados com tanta informação.

Por falar em espaços vazios e geradores de conforto, seria muito bom que, em vez de placas escondendo fachadas antigas, as pessoas (em especial as autoridades), se lembrassem de restaurar e preservar tais fachadas, com uma discreta indicação de seu ano de construção e marcos, em um entorno com mais árvores e calçadas mais livres e seguras.

Até a próxima semana!

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