O LUGAR DE ARQUITETURA

Na semana que passou, recebi o amável convite da Escola Americana de Santos para proferir uma palestra sobre Arquitetura. A palestra insere-se no Projeto Career Day (Dia da Profissão), onde profissionais das mais diversas áreas são convidados pela Escola para falarem sobre sua carreira e atividades para os estudantes da última série do Fundamental (8a. série) e, portanto, a um passo de iniciarem o ciclo Médio, já apenas a uma curta distância das sempre polêmicas e cheias de dúvidas escolhas da Faculdade e da profissão.

Além de ficar muito lisonjeada pelo convite, tive a alegria de ver todos aqueles olhinhos curiosos e muito interessados no que eu tinha para dizer (o número de perguntas que os pequenos fizeram, nas quase duas horas que lá estive, deu-me certeza disso).

Realmente, é bastante prazeroso falar de Arquitetura num momento tão especial para essa área do conhecimento, em que diversas mostras e eventos estão acontecendo simultaneamente em nosso País.

A Arquitetura do Brasil detém hoje níveis de criatividade e de desenvolvimento que nada ficam a dever aos dos chamados países desenvolvidos. Muita gente pode ter ouvido falar apenas de Niemeyer, mas há atualmente muitos arquitetos brasileiros (jovens e seniores) que se destacam no Brasil e no exterior e recebem prêmios importantes. Um exemplo disso é o do arquiteto Angelo Bucci, primeiro colocado no concurso para a escolha do pavilhão do Brasil em Sevilha, Espanha. Se tomarmos só a Bienal de Arquitetura como exemplo, onde estão os maiores destaques, são mais de trezentos projetos e idéias.

Arquitetura é muito mais do que “a arte de criar espaços organizados e animados, por meio do agenciamento urbano e da edificação, para abrigar os diferentes tipos de atividades humanas” (sic), que encontramos no Aurélio (é interessante notar a classificação como “arte”). Ela não tem somente a ver com arte, com o desenho de edifícios e projetos de cidades. É também um código, uma linguagem, preocupada não apenas com questões estéticas e ergonômicas mas também com o social, com a defesa e a preservação do ambiente e dos patrimônios histórico e cultural. Sua intervenção garante o equilíbrio entre formas, conteúdos e funcionalidades na ocupação dos espaços – e as constantes e descontínuas mudanças nas demandas contemporâneas exigem dela não somente maneiras de adaptação rápida e eficaz, como também a visão antecipada de soluções. Foi basicamente disso que falei aos queridos pequenos da Escola Americana de nossa cidade.

Quanto ao reconhecimento público da profissão, bem, isso já é outra coisa. A maioria das pessoas ainda acha que contratar um arquiteto é um luxo, uma coisa caríssima e, principalmente, desnecessária. Acabam por entregar suas construções e reformas para engenheiros ou então pedreiros de confiança (antes que comecem a atirar-me pedras, quero deixar claro que normalmente trabalho com engenheiros, pedreiros e outros profissionais da construção e que considero seu trabalho de fundamental importância – só estou querendo dizer é que cada um tem sua área de atuação e sua hora certa para atuar nos projetos – a visão e as orientações da Arquitetura, da Engenharia e do pessoal da execução, embora tenham de atuar integrada e harmonizadamente, têm essências diferentes).

Para terminar, quero recomendar a exposição do MASP, sobre Gaudí, o arquiteto catalão mundialmente conhecido por obras como a Casa Milá, a Casa Battló e o Parque Guell, entre outras. Sem esquecer da Igreja da Sagrada Família (Barcelona). Se também podemos identificar Arquitetura com arte, aí estão claríssimos exemplos disso.

Até a próxima semana.

 

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