PRESERVAR É PRECISO

A revista Veja São Paulo (Vejinha), edição de 22 de outubro, estampa em sua capa uma foto do Teatro Municipal e do Viaduto do Chá, anunciando as melhorias do centro da Capital do nosso Estado e os benefícios que a revitalização está promovendo. Quando se depara com a quantidade de mudanças operadas nessa região, tornando-a mais bonita, mais limpa e mais viva, é impossível não sentir uma pontinha de inveja…sim, porque o centro de Santos possui monumentos, casarios e uma composição e implantação arquitetônicas que, devidamente preservados, não ficariam nada a dever aos da grande metrópole (nosso patrimônio tem ainda o atrativo de estar localizado junto ao mar), e que poderiam aumentar o fluxo turístico e reativar o declinante comércio da região.

Não obstante os esforços e muita coisa feita e sendo feita (para quem quiser saber mais, é só visitar o site www.alegracentro.com.br), com várias empresas preservando e valorizando a arquitetura de edifícios condenados ao abandono, através de recuperações planejadas, a revitalização do centro de Santos ainda é pequena e seu ritmo é lento.

Mas apesar de apenas algumas ruas estarem reurbanizadas, já se pode sentir o prazer que é, à moda de outros países (europeus, principalmente), freqüentar um centro histórico para jantar, passear por ruas arborizadas e calçadas iluminadas por postes da época, ver um espetáculo musical, assistir a uma peça de teatro, ir a um cinema, e, claro, fazer compras. Qualidade de vida tem muitas vertentes.

Afinal, o que têm de tão especial lugares como o Puerto Madero, em Buenos Aires, a Zona do Cais, em Lisboa, e até mesmo Alexandria, aquele pequeno subúrbio de Washington, D.C. que não poderia ser reproduzido aqui em Santos, cidade possuidora de uma beleza natural incrível e de condições gerais muito melhores? Não falo somente de bares, restaurantes, casas de show e outros empreendimentos de entretenimento: tive a oportunidade de fazer alguns projetos de escritórios do centro histórico, e de alguns deles desfruta-se de uma vista do estuário que é um privilégio.

Com a revitalização, a economia da cidade poderia ser incentivada, gerando empregos, renda e consumo.

Lamentavelmente, o Brasil é um país que acordou somente há muito pouco tempo para a questão da preservação de seu patrimônio histórico, cultural e ambiental, sendo essa orientação muito recente entre nós. E olhe que ainda há muito por fazer, em todos os campos.

A preservação de nossa memória e identidade é a substância real de uma herança estratégica a ser deixada para as novas gerações. Essa é uma causa de todos nós.

Até a semana que vem.

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